Guia · Financiamento

Como funciona o financiamento imobiliário no Brasil

Como funciona o financiamento da casa própria: teto do SFH, limites de 80% e 90% do valor do imóvel, o imóvel como garantia, seguros e estatísticas de juros do Banco Central.

Em resumo

O crédito para a casa própria no Brasil é um financiamento imobiliário, regido por normas federais do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central (BCB). Numa compra residencial por pessoa física, o financiamento não pode exceder 80% do valor de avaliação do imóvel, ou 90% se for pago pelo sistema SAC. O próprio imóvel é normalmente a garantia, por meio de um mecanismo chamado alienação fiduciária. O BCB registrou uma taxa média de 11,28% ao ano nos novos financiamentos habitacionais a pessoas físicas em agosto de 2026 (série 20774). Isso é uma estatística, não uma oferta.

As duas camadas das regras

O crédito habitacional brasileiro tem uma norma federal e, por cima dela, um mercado. A norma é a Resolução CMN 4.676, de 31 de julho de 2018, em vigor desde 1º de janeiro de 2019 e alterada várias vezes desde então, mais recentemente pela Resolução CMN 5.255, de 10 de outubro de 2025. Ela fixa as condições gerais que toda instituição autorizada pelo BCB deve seguir ao conceder um financiamento imobiliário. O mercado se organiza por cima: cada instituição escolhe sua taxa, seu prazo, seu critério de renda e seus documentos, dentro desses limites.

A norma distingue os financiamentos dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) dos demais financiamentos imobiliários. O SFH tem tetos próprios para o valor do imóvel e para o custo ao tomador; a diferença está explicada em SFH ou SFI.

Quanto se pode financiar

A norma limita a relação entre o financiamento (principal mais despesas acessórias) e o valor de avaliação do imóvel na data do contrato. O artigo 6 fixa:

  • 80% para o financiamento da compra de imóvel residencial e para a pessoa física que constrói a casa;
  • 90% quando se usa o sistema de amortização SAC ou SACRE (veja SAC ou Price);
  • 60% para o empréstimo a pessoa física garantido por imóvel residencial mas não usado para comprá-lo (home equity).

O percentual incide sobre a avaliação feita para a instituição financeira, não necessariamente sobre o preço do contrato. Como cálculo, não como oferta: num imóvel avaliado em R$ 600.000, 80% são R$ 480.000 e 90% são R$ 540.000. O restante, mais os custos de compra descritos em custos de compra de imóvel no Brasil, sai de recursos próprios do comprador ou do FGTS (veja usar o FGTS para comprar imóvel).

A norma não fixa um limite numérico para a parcela da renda que a prestação pode comprometer. O artigo 11 exige que a instituição avalie a capacidade de pagamento, considerando os compromissos existentes e um mínimo existencial (um valor mínimo para despesas de subsistência), com o comprometimento calculado sobre a maior prestação do contrato. Como esse teste é aplicado é decisão da instituição.

A garantia e o seguro

Os financiamentos para comprar, construir ou produzir imóvel devem ser garantidos pelo próprio imóvel, como prevê o artigo 7. Na prática, trata-se da alienação fiduciária: o credor mantém a propriedade do imóvel em garantia até a quitação, e a garantia é registrada no Registro de Imóveis. As consequências para o tomador que deixa de pagar estão em alienação fiduciária e em inadimplência e consolidação da propriedade.

No SFH, a lei exige seguro que cubra a morte e a invalidez permanente do tomador e os danos físicos ao imóvel. Veja seguro habitacional: MIP e DFI.

O que o Banco Central informa sobre juros

O BCB publica, em dados abertos, a taxa média dos novos financiamentos habitacionais a pessoas físicas. Para agosto de 2026, estes são os números que a Payotte leu em 15 de outubro de 2026:

SérieMedidaAgosto de 2026
SGS 20772taxas de mercado14,24% ao ano
SGS 20773taxas reguladas10,91% ao ano
SGS 20774total11,28% ao ano

As séries descrevem financiamentos regulados pelo CMN ou vinculados a recursos orçamentários, ponderados pelo valor. São médias de contratos passados, não uma cotação; a sua taxa depende da decisão da instituição. Para ver o que move o mercado, leia a Selic e os juros do financiamento. A taxa é só uma parte do preço: o custo efetivo total (CET), explicado em CET, inclui seguros e tarifas, e a instituição deve informá-lo antes da assinatura.

Um estrangeiro não residente pode obter financiamento?

Nenhum texto oficial lido pela Payotte nas normas de crédito habitacional (Resolução 4.676, Lei 9.514, Lei 8.036) exige que o tomador seja residente ou cidadão brasileiro. Se determinada instituição concede crédito a não residente, em que moeda e em que condições, é decisão dela. Os programas do governo são diferentes: o FGTS e o Minha Casa, Minha Vida assentam-se em condições que pressupõem trabalho ou residência no Brasil, como explicam os guias de cada um. Para a compra em si, veja comprar imóvel no Brasil sendo estrangeiro.

O que comparar

  • Taxa e CET: peça o demonstrativo do CET antes de assinar; ele deve ser apresentado a você antecipadamente.
  • Sistema de amortização: SAC ou Price muda a primeira prestação e o total pago.
  • Seguro: você pode apresentar uma apólice individual em vez da da instituição, dentro das regras.
  • Portabilidade: mais tarde você pode levar o financiamento para outra instituição (portabilidade de financiamento imobiliário).

Use o simulador de financiamento para uma estimativa com as taxas de referência publicadas.

Qual profissional consultar

Uma instituição financeira ou um correspondente autorizado para a oferta em si (financiamento imobiliário); um advogado inscrito na OAB para o contrato de financiamento e a garantia (advogado imobiliário); e um avaliador de imóveis para a avaliação que define o teto do financiamento (avaliador de imóveis).

Perguntas frequentes

Qual é o percentual máximo de financiamento do valor do imóvel no Brasil?

Para comprar imóvel residencial, 80% do valor de avaliação, ou 90% se o financiamento for pago pelo SAC ou SACRE (Resolução CMN 4.676, artigo 6).

O imóvel é a garantia do financiamento?

Os financiamentos para comprar, construir ou produzir imóvel devem ser garantidos, e a garantia habitual é o próprio imóvel, mantido em propriedade fiduciária pelo credor até a quitação.

Qual foi a taxa média do financiamento imobiliário no Brasil em 2026?

Para agosto de 2026, o BCB informa 11,28% ao ano para o conjunto dos novos financiamentos habitacionais a pessoas físicas (SGS 20774), 14,24% nas taxas de mercado e 10,91% nas taxas reguladas.

A lei brasileira proíbe financiamento a não residentes?

Nenhuma regra lida nos textos de crédito habitacional exige residência. A instituição decide se concede o crédito.

Onde vejo o custo real?

No demonstrativo do CET que a instituição deve entregar antes de você assinar.

Informação geral extraída das fontes oficiais citadas e datadas nesta página. Não é assessoria jurídica, tributária ou financeira: para a sua situação, consulte um profissional habilitado.

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Fontes

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